O que mancha é o preconceito

Diversidade é o que torna a nossa beleza única. Felizmente, cada vez mais as pessoas entendem que não existe padrão de beleza, que ser bonito não é parecer com aqueles “personagens” bem maquiados nas capas de revistas. O belo é relativo e começa pela aceitação da sua própria essência, da sua identidade. Mas, o que eu, uma dermatologista, tenho a ver com isso?

Bom, hoje o nosso bate-papo é uma mistura de conscientização e informação sobre a doença que ficou famosa na pele do grande astro pop Michael Jackson: o vitiligo.

Antes de mais nada, vamos conhecer melhor esta patologia?

Vitiligo é uma dermatose que se caracteriza pela perda da pigmentação da pele, que ocorre devido à diminuição ou ausência de melanócitos – células responsáveis pela produção de melanina, que dá coloração à pele. A doença se manifesta por meio de manchas cutâneas sem coloração, que acometem principalmente as extremidades do corpo (mãos, pernas, face, etc), podendo progredir para o restante do corpo.

Apesar de todo o incômodo e possível sensibilidade que essa patologia pode trazer à pele, o fator que pode ser considerado mais crítico no seu portador é o psicológico. Isso porque, infelizmente, ainda existe algum preconceito, já que ainda há aqueles que tratam o vitiligo como uma doença contagiosa, o que certamente não passa de falta de informação. Por outro lado, existe o aspecto da própria aceitação do paciente em entender que ser diferente não é ruim – aliás, é exatamente o contrário, concordam?

Você pode até pensar: “Ah, você diz isso porque você não tem”. Mas que tal ilustramos com o caso que ganhou fama no mundo inteiro? A modelo canadense Winnie Harlow, portadora da doença, se destacou, vejam só vocês, na indústria mais exigente: a moda. Sua autenticidade, somada à singularidade da sua beleza, garantiu à modelo posição de privilégio nas passarelas e editoriais de moda no mundo todo.

Vale alertar que tal aceitação não deve ser confundida com falta de cuidados. A começar por um diagnóstico criterioso, no qual se descarte possíveis doenças autoimunes associadas, até o acompanhamento periódico do quadro através de consultas e exames frequentes.

E aquela pergunta que não quer calar: “Existe tratamento?”. Ainda que não possamos falar em cura, existem, sim, tratamentos que podem impedir a progressão da patologia e em alguns quadros até reverter a descoloração da pele nas áreas atingidas.

As técnicas variam do uso tópico de corticoides (medicamentos que atuam no sistema imunológico, já que uma das teorias aceitas é que o vitiligo cursa com respostas autoimunes do corpo), terapia a laser, fototerapia, entre outros. O melhor tratamento vai depender de cada paciente e da sua resposta individual aos medicamentos. Portanto, os procedimentos precisam ser avaliados pelo seu dermatologista!